A ida do ex-prefeito de Salvador e líder do União Brasil na Bahia, ACM Neto, a Juazeiro, no norte do estado, acontece sob forte tensão política e em meio a um cenário nada favorável. Às vésperas de cumprir agenda no município, Neto enfrenta o impacto direto de uma operação da Polícia Federal que atingiu o coração de uma gestão aliada.
Nesta quarta-feira, a Polícia Federal, em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou a Operação Litíase, que investiga supostas irregularidades em contratos milionários da área da saúde, firmados a partir do período mais crítico da pandemia da Covid-19. As apurações alcançam a gestão da ex-prefeita Suzana Ramos, aliada política de ACM Neto e figura central do seu grupo no interior baiano.
Os contratos investigados teriam sido celebrados até o ano de 2023, quando Suzana ainda comandava a Prefeitura de Juazeiro. O caso lança sombras sobre o discurso de renovação e responsabilidade administrativa defendido por Neto e expõe fragilidades do seu campo político justamente em uma área sensível: a saúde pública.
Em nota, a atual gestão municipal, liderada pelo prefeito Andrei Gonçalves, tratou de se desvincular da operação, afirmando que não é alvo das investigações e reforçando que os contratos sob suspeita pertencem a administrações anteriores. A prefeitura também destacou que tem colaborado com as autoridades para o total esclarecimento dos fatos.
Mesmo diante do desgaste político e do constrangimento público provocado pela operação, ACM Neto mantém sua agenda em Juazeiro. O ex-prefeito estará no município nesta sexta-feira, 30 de janeiro, onde concederá entrevista coletiva no Rapport Hotel, prometendo anunciar os rumos do seu projeto político para Juazeiro e para a Bahia.
A visita ocorre poucos dias após o ex-prefeito Isaac Carvalho declarar apoio a ACM Neto, o que eleva ainda mais a temperatura do cenário político local. A pergunta que fica nos bastidores é: a operação da PF vai atrapalhar os planos de Neto em Juazeiro ou ele conseguirá virar o jogo em meio à crise?
O certo é que a chegada do líder oposicionista acontece em um ambiente carregado, com holofotes voltados não apenas para seus anúncios políticos, mas também para as conexões e heranças de aliados agora no centro de uma investigação federal.
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