Partido contesta decisão de juiz e afirma que declarações da influenciadora sobre proposta milionária sugerem esquema clandestino para compra de apoio político.

O Partido dos Trabalhadores (PT) decidiu não cruzar os braços após levar a pior na ação judicial movida contra a influenciadora Jojo Todynho. O partido ingressou com um “recurso em sentido estrito” para tentar reverter a decisão que rejeitou a queixa-crime, buscando a continuidade do processo nos tribunais.

A disputa gira em torno de declarações feitas por Jojo no podcast Conversa Paralela, onde ela afirmou ter recebido uma proposta de R$ 1,5 milhão para apoiar a candidatura presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva.

Os argumentos do recurso

No documento, o PT rebate frontalmente a interpretação do juiz de primeira instância e apresenta os seguintes pontos para sustentar a acusação:

  • Autoria subentendida: O partido argumenta que, por ser o responsável direto pelas campanhas de Lula, a fala da influenciadora não foi vaga ou indeterminada. Para a sigla, não há dúvidas de que Jojo apontava o PT como o suposto pagador.

  • A gravidade do “sem rastro”: O principal ponto de discordância do PT em relação à decisão do juiz envolve a afirmação de Jojo de que a proposta teria sido feita por telefone “pra não deixar rastro”. Segundo o partido, essa expressão afasta a ideia de uma contratação lícita e corriqueira, sugerindo a prática de atos clandestinos e um esquema financeiro oculto para a compra de apoio político-eleitoral.

  • Danos à imagem: A legenda sustenta que as declarações afetam diretamente sua reputação, honra e credibilidade perante a sociedade, havendo “justa causa” e materialidade incontroversa para que o processo avance.


Relembre a decisão judicial e a origem do caso

O imbróglio teve início em 2023, após a entrevista de Jojo Todynho repercutir na internet. Segundo a influenciadora, a oferta milionária teria começado por telefone e sido formalizada posteriormente durante um almoço. O PT negou veementemente as acusações desde o princípio, classificando as falas como falsas e prejudiciais à sua imagem.

O caso teve seu primeiro desfecho em 16 de fevereiro, quando o juiz Fernando Augusto Andrade Conceição, da 14ª Vara Criminal da Barra Funda (TJ-SP), rejeitou liminarmente a queixa-crime.

Na ocasião, o magistrado argumentou que:

  1. Jojo Todynho não citou nominalmente o PT como o responsável pela oferta.

  2. A contratação de artistas e personalidades da internet para campanhas eleitorais é uma conduta comum e não configura um fato desonroso.

  3. A ação carecia de “justa causa”.

Além de arquivar o pedido inicial, o juiz havia condenado o PT ao pagamento das custas processuais e de R$ 10 mil em honorários de sucumbência aos advogados de defesa da influenciadora. Agora, caberá à Justiça analisar o novo recurso apresentado pela legenda.