Grupo facilitava a entrada de drogas, celulares e outros materiais ilícitos; líder recebeu pena superior a 28 anos de prisão.

A Operação Sísifo resultou na condenação de 12 pessoas, entre elas 10 policiais penais, por envolvimento em um esquema criminoso que atuava no Conjunto Penal de Feira de Santana, segunda maior cidade da Bahia. A decisão foi proferida na segunda-feira (6/7) e atendeu à denúncia apresentada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), que investigou a atuação do grupo entre 2023 e 2024.

Segundo o MP-BA, os condenados integravam uma organização criminosa responsável por facilitar a entrada de drogas, celulares e outros materiais proibidos dentro da unidade prisional, utilizando os cargos públicos para favorecer as atividades ilícitas.

Chefe do grupo foi condenado a mais de 28 anos de prisão

De acordo com a sentença, o policial penal Valmir Pereira de Jesus, apontado como líder da organização criminosa, recebeu pena superior a 28 anos de prisão.

Os demais policiais penais condenados são:

  • Vitor Cerqueira de Oliveira;
  • Ednilson Santana Mota;
  • Isaías Gregório de Miranda Filho;
  • Yure Pinheiro Costa;
  • Gildo de Lima Almeida;
  • Valter Ferreira de Almeida;
  • Leandro Calazans Amaral;
  • Rosana Souza de Oliveira;
  • Luana Priscilla de Jesus Moitinho.

Também foram condenados Emerson Carmo dos Santos e Genivaldo Reis dos Santos, pelos crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa e corrupção ativa, conforme a participação de cada um no esquema.

Esquema facilitava entrada de drogas e celulares

As investigações apontaram que os integrantes da organização utilizavam suas funções no Conjunto Penal de Feira de Santana para permitir a entrada de entorpecentes, aparelhos celulares e outros objetos ilícitos destinados aos internos.

Ainda conforme o Ministério Público, o grupo possuía uma estrutura organizada, com divisão de tarefas entre os participantes e mecanismos para ocultar e dissimular os valores obtidos com as atividades criminosas. A movimentação financeira identificada pelos investigadores era incompatível com os rendimentos oficialmente declarados pelos envolvidos.

A apuração teve início depois de uma sequência de apreensões de materiais proibidos no interior do presídio, entre eles celulares, drogas e armas perfurocortantes encontradas com detentos.

As provas reunidas durante a Operação Sísifo sustentaram a denúncia do MP-BA, que resultou na condenação dos envolvidos pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva, corrupção ativa, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e facilitação da entrada de aparelhos telefônicos e outros objetos ilícitos em estabelecimento prisional.

Com a condenação, o caso representa um dos principais desdobramentos da Operação Sísifo no combate à corrupção e ao fortalecimento de organizações criminosas dentro do sistema prisional baiano.