O Ministério Público da Bahia (MP-BA) informou, nesta segunda-feira (2/3), que uma eventual retomada do clássico Ba-Vi com as duas torcidas, prevista para o próximo sábado (7), na final do Campeonato Baiano, deverá estar condicionada à comprovação, por parte dos órgãos de segurança pública e responsáveis pela logística da partida, de que todos os protocolos efetivos de prevenção e redução de riscos de violência estejam assegurados.

A discussão voltou ao centro do debate após o presidente do Vitória, Fábio Mota, declarar que pretende solicitar o retorno da chamada “torcida mista” para a decisão contra o Bahia.

Desde 2017, com uma breve interrupção, os clássicos Ba-Vi são disputados com torcida única, após recomendação do MP-BA motivada por episódios de violência registrados dentro e fora dos estádios.

Em nota, o órgão destacou que qualquer análise sobre a mudança do modelo deve seguir critérios técnicos, priorizando a integridade física de torcedores, trabalhadores e demais envolvidos. O posicionamento das forças de segurança, a exemplo do Batalhão Especializado de Policiamento em Eventos (Bepe), é considerado fator determinante, sobretudo quando não há recomendação favorável à alteração do formato atual.

O MP-BA informou ainda que seguirá acompanhando o tema em diálogo com as autoridades competentes, orientado pela preservação da segurança coletiva e pela adoção de medidas responsáveis.

Procurada, a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) afirmou que as forças policiais e o Corpo de Bombeiros possuem expertise na atuação em grandes eventos esportivos. Segundo a pasta, o trabalho é realizado por unidades ordinárias e especializadas, com suporte de tecnologia. A secretaria ressaltou ainda a atuação do estado em eventos de grande porte, como a Copa do Mundo de 2014, a Copa das Confederações de 2013 e os Jogos Olímpicos de 2016.

Recomendação se aproxima de 10 anos

A restrição teve início após uma série de episódios violentos. Em 9 de abril de 2017, torcedores se envolveram em briga generalizada antes de um Ba-Vi disputado na Arena Fonte Nova, resultando em 45 detidos. Após a partida, um homem morreu e outro foi baleado em confusão no Dique do Tororó, em Salvador.

Diante dos fatos, o MP-BA recomendou que os clássicos passassem a ocorrer com torcida única no estado. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) acatou a orientação e determinou que os confrontos fossem disputados apenas com a presença da torcida do time mandante.

Em fevereiro de 2018, após avaliação positiva dos índices de segurança, o MP-BA autorizou o retorno das duas torcidas. No entanto, apenas 16 dias depois, o primeiro Ba-Vi daquele ano terminou em briga generalizada entre jogadores dentro de campo, no Barradão. Horas antes da partida, também houve confronto entre torcedores no Centro de Salvador.

Diante dos novos episódios, o Ministério Público voltou a recomendar a adoção da torcida única, medida que permanece em vigor até hoje.

Em 2024, o órgão chegou a projetar o fim da restrição para 2025, mas o plano não avançou após avaliação conjunta com a Polícia Militar de que ainda não havia cenário seguro para o retorno do público visitante aos clássicos.

Linha do tempo

  • 9 de abril de 2017: 45 detidos; um homem morre e outro fica ferido após brigas entre torcedores;
  • 25 de abril de 2017: CBF acata recomendação do MP-BA e determina torcida única nos Ba-Vis;
  • 27 de abril de 2017: Barradão recebe o primeiro clássico sem torcida visitante;
  • 2 de fevereiro de 2018: MP-BA confirma o fim da torcida única após avaliação positiva;
  • 18 de fevereiro de 2018: nova briga generalizada dentro e fora do estádio;
  • 26 de março de 2018: MP-BA volta a recomendar torcida única nos clássicos, modelo mantido até hoje.