Deputado é o único parlamentar federal do PL na Bahia que ainda não recebeu o repasse eleitoral; situação ocorre após aparecer em palanque de Jerônimo com adesivo do 13
A crise envolvendo o deputado federal Jonga Bacelar (PL-BA) ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (27). Enquanto dois deputados federais baianos do PL já receberam cerca de R$ 3,1 milhões cada para suas campanhas, Jonga continua sem receber recursos do partido.
O detalhe que chama atenção é o momento em que isso acontece.
Jonga entrou na mira da direção nacional do PL depois de aparecer, no último sábado (22), em um palanque do governador Jerônimo Rodrigues (PT), em Ribeira do Pombal. Durante o evento, o parlamentar declarou apoio à reeleição do petista e apareceu usando um adesivo com o número 13.
A atitude provocou uma verdadeira saia-justa dentro do PL, que na Bahia apoia ACM Neto (União Brasil) para o Governo do Estado.
E o dinheiro?
Segundo informações divulgadas nesta quinta-feira, Roberta Roma e Capitão Alden já receberam aproximadamente R$ 3,1 milhões cada do diretório nacional do PL. Jonga Bacelar, por outro lado, permanece sem registro de repasse partidário.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, havia afirmado que os deputados federais que disputam a reeleição receberiam cerca de R$ 3 milhões da legenda. No entanto, a autorização do valor não significa que o recurso de Jonga tenha sido efetivamente transferido.
E é justamente aí que a história fica quente.
Coincidência ou consequência?
O fato de Jonga continuar sem receber o recurso acontece poucos dias depois do episódio que colocou o deputado em rota de colisão com o próprio partido.
Valdemar Costa Neto afirmou que o caso seria analisado e que Jonga precisaria se explicar. Entre as possibilidades levantadas pelo dirigente estão medidas disciplinares, inclusive expulsão e corte de recursos. O caso também poderá passar pelo Conselho de Ética da legenda.
Até o momento, porém, o PL não confirmou oficialmente que decidiu retirar ou cancelar o fundo eleitoral de Jonga.
Ou seja: o dinheiro ainda não caiu, mas não é possível afirmar que houve um corte definitivo.
Pressão aumenta
A situação ficou ainda mais complicada depois que o deputado Capitão Alden protocolou uma representação ético-disciplinar pedindo a expulsão de Jonga do PL, além do cancelamento da candidatura e da devolução de eventuais recursos recebidos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha.
Jonga, por sua vez, tentou colocar um ponto final na polêmica. Em nota, reafirmou seu compromisso com o PL e declarou apoio a Flávio Bolsonaro, João Roma e ACM Neto. O parlamentar afirmou considerar o episódio esclarecido.
Mas, nos bastidores, a crise ainda está longe de parecer encerrada.
Agora a pergunta é: Jonga vai receber?
O cenário coloca uma pergunta inevitável no meio da disputa eleitoral:
Jonga Bacelar ainda receberá os milhões prometidos pelo PL ou ficará sem o dinheiro da legenda justamente após o episódio envolvendo Jerônimo?
Por enquanto, não existe confirmação de um corte definitivo. O que existe é um fato concreto: os outros dois deputados federais do PL na Bahia já receberam os recursos, enquanto Jonga continua sem o repasse.
A resposta sobre o futuro do dinheiro e da própria permanência de Jonga no PL poderá transformar uma crise política em uma das maiores disputas internas da eleição baiana de 2026.

